Depois de longos 3 meses de férias, semana passada as aulas retornaram de vez. As atividades escolares já tiveram início desde o dia primeiro de março, porém, primeira semana de aula é muito suave, não temos aulas propriamente ditas. Basicamente os professores só se apresentam e apresentam o curso.
Já li alguns textos requisitados pelos professores e já tivemos debates interessantes em sala de aula. Entre esses debates, no meio da aula de sociologia na quarta-feira, minha professora disse algo. O curso de ciências sociais exige muita leitura dos alunos. Um aluno de sociais que não lê, não conclui o curso com uma boa formação. A professora estava dizendo mais ou menos isso, e então emendou: "vocês sabem que ciências sociais não dá dinheiro, então no minímo, leiam". Nada que já não soubéssemos. Mas o que a professora nos disse sobre o curso não dar dinheiro, traz à tona um debate interessante. Hoje, os alunos do ensino médio e cursinho escolhem os cursos universitários por dinheiro ou porque realmente se sentem atraídos por determinada área do conhecimento?
Atualmente, o curso de medicina é o mais concorrido em qualquer universidade do país que o ofereça, e há cada vez menos concorrência por cursos que teoricamente não dão tanta projeção financeira, principalmente cursos das áreas de humanas e de educação, salvo excessões, como direito e administração, por exemplo, que são profissões com melhores expectativas financeiras do que letras, por exemplo.
Creio que a mídia exerce influência determinante nesse quadro. Jornais exibem matérias sobre profissões em que a pessoa pode enriquecer facilmente, as novelas e os filmes, principalmente hollywoodianos, mostram determinado padrão de vida onde todos que são bem-sucedidos andam de terno e gravata, dirigem carros importados, vivem na correria do dia-a-dia só trabalhando e querendo ganhar cada vez mais e mais dinheiro. O senso-comum é facilmente influenciado por isso.
Não digo que todas as pessoas que seguem por esses caminhos o façam só pelo dinheiro. Assim como eu gosto de ciências sociais, nada impede outra pessoa de adorar tal correria, adorar trabalhar na administração de determinada empresa. Mas será que todos são assim? Outro dia mesmo, assistindo ao Jornal Hoje da Rede Globo, estava sendo exibida uma matéria que falava sobre o medo que os trabalhadores tinham de tirar férias. Medo de serem demitidos por isso, de outra pessoa ocupar seu lugar na empresa, etc. Um entrevistado dizia que não queria tirar férias, que só queria ganhar cada vez mais dinheiro.
Isso reflete uma realidade assustadora, afinal, quem hoje em dia não pensa assim? Dinheiro é importante? Claro que é, afinal, sem ele, ninguém vive. Necessitamos do mesmo para comer, vestir, morar, educar. Mas até que ponto ele pode tomar conta de nossas vidas?
Há inúmeros valores morais que deveriam ser postos à frente do dinheiro, valores que fariam da vida em sociedade uma vida muito mais harmoniosa. O dinheiro como único fim de vida dos homens os torna, como já dizia o filósofo Thomas Hobbes, o lobo do próprio homem. Surge uma sociedade na qual, o único objetivo do indivíduo é passar por cima de seu semelhante para "garantir o seu". A realidade de hoje, infelizmente, é essa. Cada um por si. Olho por olho, dente por dente. É assim que é.
O senador Cristovam Buarque disse em seu twitter: "antes, economia era necessária para fazer boa educação; agora, educação é necessária para fazer boa economia. Isso é a mais pura verdade. A sociedade hoje precisa ser reeducada, para fazermos uma boa economia, melhor distribuição de renda com menos desigualdade social. Porém, necessitamos ir além disso. Não só precisamos de boa economia, mas de uma boa filosofia de vida.
Posso parecer um tanto sonhador ao dizer isso, mas, se houvesse um momento em que todos olhassem para si próprios e vissem o que estão fazendo pelo dinheiro e o que estão deixando de lado por ele também, creio que não seria o único sonhador.
Bruno Joly
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